| Adelaide Helena's profileTRAMAS DA VIDA!...PhotosBlogLists | Help |
TRAMAS DA VIDA!...Somos ligados pelas tramas de fios invisíveis que vão tecendo nossa existência de uma forma imperceptível e tão sútil que não nos damos conta do quanto estamos envolvidos em suas teias!... |
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"YO QUIERO MÍ PIEZA!...
“Estou no táxi no sentido ao aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, olho, constantemente, para o relógio, bem aflita, parece que nunca aprendo a lição!...Uma vida e, eu, aqui acreditando que posso driblar o tempo!...O motorista está meio mal humorado, pois ficou me esperando uns vinte minutos na porta do hotel. Saí rapidinho para fazer as últimas comprinhas, aquelas de última hora, por sinal, ainda estou com as sacolas na mão (nem dá para acreditar que fiquei dez dias na Calle Corrientes próxima a Calle Florida e só hoje fui comprar o cashemere que prometi a minha irmã e umas coisinhas mais para mim e outras pessoas). Penso que no aeroporto dará tempo de comprar uma bagagem para comportá-las, afinal, acabei comprando mais do que previra!... Dizem que esta atitude se chama a síndrome do herói, bem, no meu caso, síndrome da heroína, que tem a necessidade da descarga de adrenalina, por ter necessidade de viver no limite!...Aff… Pior, ao chegar ao hotel ainda tinha que fazer o check out e, quase que sai com a mala de outro hóspede!...Céus!... Bem, aos poucos ia avistando as placas do aeroporto e me tranqüilizava. Na minha bagagem de mãos levava apenas a minha pequena “paixão”: uma peça que apaixonara assim que vi. O impressionante é que ela se chama “El pensador”. Coincidência, pois vim para cá, justamente para pensar sobre mim, sobre minha vida, estava numa fase difícil do meu relacionamento e tentando me recuperar das reviravoltas de minha própria saúde. E, além disso, também admiro o Pensador de Rodin, por sinal, deparei-me com a escultura, o Beijo, dele, neste museu, que emoção! Agora, levo comigo, por sorte, a réplica de uma peça de 1.500 anos a.C., todo cuidado é pouco com ela, afinal o pessoal no Museu a embrulhou,- mesmo sabendo que a levaria para o Brasil-, mais ou menos e, como já era meio tarde quando cheguei ao hotel, não tive tempo ágil para conseguir uma forma de embalá-la melhor. Então decidi trazê-la bem perto de mim, embrulhada sob casaco de lã para não correr risco de quebrar. Por causa dela fui ao Museu Nacional de Bellas Artes de Buenos Aires mais duas vezes, além, da visita que fiz junto com o grupo, do curso de espanhol, onde, de fato, fui apresenta à arte pré-colombiana andina. E, foi após esta visita que descobri esta peça, foférrima, na loja de souvenir do Museu. Porém, achei-a pesada e fiquei em dúvida quanto a comprar ou não. O preço em si era bem acessível, pela peça, até, achei, acessível demais! Comprei algumas lembranças e me fui. Ledo engano! Pensei que já havia negociado com o meu desejo, mas que nada!...Ela se manteve em minha mente no final de semana!...Segunda já estava na porta do Museu, este estava fechado. Na terça no final do dia, meu último dia, lá estava eu de novo. Ufa!...Que bom, ela ainda estava lá!...Como que me esperando!...E, agora aqui bem perto de mim. Vai para o Brasil!... Bom, ao chegar à Companhia Área um problema na confirmação de minha passagem e, de repente, sou obrigada a ser a última a fazer o check in. Tudo bem, lá vou eu para o fim da fila, desde que vá neste vôo, não há com o quê me estressar. Enquanto espero a minha vez, um funcionário da Companhia para adiantar vem me perguntar sobre o que vou despachar e questiona sobre o que há em minha bagagem de mão e, digo-lhe. Inocentemente, mostro-lhe um papel me entregaram (realmente não havia lido, pois para mim estava tudo certo, afinal informei-lhes sobre a minha intenção de transportar a peça para o Brasil no dia seguinte), ao ler ele simplesmente olhou para mim e me disse que teríamos que ir a alfândega. Sem que nenhuma desconfiança surgisse em minha mente o segui tranqüilamente. Nisto está saindo um senhor por uma porta e ele lhe mostra o tal papel vermelho, este senhor o lê e sentencia, firmemente: “ No puede salir del País!”. E, sai, andando como tivesse dito algo do tipo: Hoje vai nevar!... Para mim foi como se tivesse, mesmo, caído uma avalanche sobre minha cabeça!...Fiquei inconformada!...Não sabia o que fazer. O garoto da empresa insistia para que fizesse o check in. Não queria ir. Queria resolver o problema! E, ele insistia. Dizia: “Senhora, vai perder o seu vôo”. Aí, me trazia a minha realidade. Não, não podia perder este vôo, de forma alguma!...Sentia-me num espaço sideral. Mais perdida do que nunca. Vencendo a minha própria resistência interna, forcei-me a ir fazer o check in. Minha mente não parava de funcionar, rodava, rodava, procurando uma possível saída para a situação...Não posso ficar. Como vou e perco a peça?!...Onde deixá-la?!...Solta no aeroporto?!...Não, preciso tentar mais um pouco!...Preciso!... Feito o check in, consigo convencer as funcionárias a me darem só cinco minutos para ir até a alfândega. Confirmo, só cinco minutos!...E lá vamos nós, novamente, o garoto e eu!...Ele já estava parecendo o meu escudeiro!... Estava nervosíssima!...Naturalmente já falo um pouco depressa, nervosa, nossa, por vezes, disparo. Imaginem tentando isto em um espanhol de uma semana!...Acho que consegui uma boa confusão num mal espanhol!... Logo apareceram dois senhores engravatados e diziam: Calma senhora!...Calma senhora!... Quando os vi, procurei me acalmar e explicar a situação!... Expliquei-lhes onde comprei a peça, como foi a compra e tudo o mais!... Disse-lhes que não foi numa lojinha, foi num Museu e que lhes havia informado que viajaria para o BR. Como não me avisaram desta interdição?!... Má fé?!... Incentivo ao contrabando?!... Pediram para esperar e sumiram dentro da repartição. Logo, o garoto começou a me apressar: “Senhora, tem que embarcar”... O desespero começou a tomar conta novamente de mim. Vejo-me chorando!... Não sabia porquê chorava: se de raiva, se indignação, se desamparo. Apenas sentia que isto não parecia estar acontecendo!... Parecia que era cena de um filme que não queria estar fazendo parte. Logo, um engravatado voltou e confirmou a sentença: “ No puede salir del País”. Peguei minha sacola de mão. Arranquei o pacote de dentro do casaco. Coloquei-o à frente do funcionário da alfândega e, disse-lhe: - Então a peça fica aqui!...Quando voltar à Argentina, resolvo esta questão!...(senti-me tão bem neste momento!). Mas, durou segundos. Logo, veio outra sentença. - No,señora, no puede ficar!... - Noooooooo!...No, cómo no puede ficar!...Cómo no puede ficar?!...(fase disco arranhado) (Desmorono-me novamente!... Esgotei-me, desisto!...) Agarrei o pacote. Pus embaixo dos braços e saí. Nisto o garoto olhou para mim e me disse: -Senhora, eu guardo a peça para da senhora até que uma pessoa amiga possa vir buscá-la comigo. Olhei para ele incrédula!... E, em minha mente, inevitavelmente veio a confirmação: "É um anjo!!!..."
Suas colegas de trabalho tentaram interferir dizendo que não era permitido pelas regras da empresa.
Disse-me que guardaria no guarda-volume do aeroporto, ou, que levaria para sua casa.
Tentei lhe dar um dinheiro para as despesas do mesmo.
-No plata, señora! E repetiu-me a sua frase predileta:
Eu quase que saí voando isto sim!... Meu anjo, foi me orientando nas formalidades para embargar. Atravessei o freeshop em disparada. Caia a identidade. Caia casaco. Sacolas na mão. Mochila do lap. Bagagem de mão semi-vazia. Uma confusão!... Foi comigo até onde lhe era permitido, isto é até o corredor da entrada para o avião.
Quase o agarrei em seu pescoço e o enchi de beijos! Contive-me!...
Agora eu levitava!... Dentro do avião, os passageiros supunham que acabava de entrar uma retardatária (sacoleira internacional) “doidivana”. Sei lá o quê. Mas as expressões não eram muito simpáticas (na realidade me trucidavam com o olhar)!... No meu drama pessoal, nem tinha me dado conta que estava atrasando o vôo... No ar, caí em um sono profundo!...Acordei para o lanchinho. Ainda agradecia em espanhol, acho que era o hábito!... Dormi novamente. A uma certa altura do vôo volto a despertar e começo a me remexer, me remexer. Percebo que o casal ao lado se incomoda um pouco. Devem ter pensado: "Nossa, esta é realmente uma pessoa desiquilibrada!..." Mexo nos bolsos da calça, mexo nos bolsos do casaco, mexo na bolsa toda, abro carteira, abro carteirinhas (não vou me estender muito, bolsa de mulher, é bolsa de mulher!). Aí, a minha companheira do lado se solidarizou, creio que ela entendeu este lado e, me perguntou: -Você perdeu algo?!... Respondi-lhe: - Não estou achando o meu cartão de crédito!... Ela se supreendeu: -Nãããooo??? - Creio que acabei deixando em cima do balcão do hotel no check out!... E aí iniciamos um diálogo, um bom papo, trocamos nossas experiências. Ela com seu marido sobre a viagem deles e, eu a minha, e sobre o meu filhote pré-colombiano, que é como passo a chamá-lo. Como foi reconfortante a nossa conversa!... Ao nos aproximarmos de São Paulo trocamos nossos endereços. Tiro uma foto deles. Um casal muitíssimo simpático. Eles me fizeram muito bem, numa manhã que me parecia ter sido muitíssimo longa. Na realidade vai ser um dia muitíssimo longo, porque ainda vou trabalhar!...Chego com o vazio de minha bagagem de mão e consternada pela peça ter ficado lá, mesmo que em boas mãos! Um dia voltarei, não só para resgatá-la como para esclarecer esta situação!...Yo voy a volver al Sur!...
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VUELVO AL SUR
Enquanto o avião decolava, minha mente, mesmo que, muito conturbada pelos efeitos dos últimos acontecimentos, era invadida pela música: "Vuelvo al sur como si siempre volviese al amor"...O que será que ela queria me dizer?!... Cinco anos se passaram deste que fui a Buenos Aires. Na época estava indo contra as “prescrições” astrológicas (entenda-se bem: não disse previsões astrológicas!), sim, minha revolução solar certamente seria bem melhor na cidade de São Paulo, local onde vivo. No entanto, havia um aspecto que me parecia ser muito mais interessante de experenciar se minha revolução solar ocorresse na capital portenha. E lá fomos nós! Foi um passeio muito bom, nos divertimos muito. Foram cinco dias maravilhosos, regados a vinho, sob o som do tango e curtindo toda a maravilha que esta capital pode proporcionar. A capital mais européia da América Latina! Agora, no entanto, vivia um novo desafio, estou indo só!... Quantas coisas me aconteceram nestes cinco anos!...Vi minha avó pela greta - como diz uma amiga minha (traduzindo: ficar à beira da morte)!...Será que se tivesse seguido a “prescrição” astrológica os caminhos teriam sido outros?!...As dúvidas sempre permanecerão. Por um lado atingi meus objetivos. Sim, tornei-me mais impermeável aos problemas familiares, frente aos quais, anteriormente, mostrava-me susceptível, no entanto, parece que acabei construindo uma bomba relógio dentro de mim, pois meses depois sofri um acidente em uma aula de spinning na academia que, por pouco, não atinge um tendão e, aí, sim, a seqüela teria sido muito mais grave do que apenas uma cicatriz na canela. Dois meses depois, na virada do ano de 2003, mal tinham acabado os rastros dos fogos dos festejos de fim de ano, as dores de uma colecistite aguda me atingem e me causam todos os transtornos já narrados (até exaustivamente) nos capítulos que deram origem a este blog. E, agora, fazia uma revolução própria, arriscava-me a ir só numa viagem ao estrangeiro! Voltava para lá, para o lugar que pode ter sido o estopim de tudo...(se é que se pode dizer isto!).
A viagem foi tão profunda, tão significativa... Ela significou, sim, o efeito mais imediato da tentativa de me resgastar, de recuperar, de ir atrás de mim mesma...de tentar reencontrar-me...de buscar partes de um quebra cabeça... De recuperar os restolhos da bomba!... Antes de partir escrevi um texto que transcreverei abaixo, mas antes de transcrevê-lo quero apenas deixar registrado, que somente no meu retorno que me lembrei que retornei exatamente dez dias antes da primeira audiência do meu processo judicial que será amanhã (ou melhor, hoje, porque não estou conseguindo dormir)!...Aff...Que ansiedade!...
UN VIAJE AL EXTRANJERO (al extraño en mi mísma)
Existem e viagens... Esta seja a "viagem"...
ASAS DA LIBERDADE...Desconfio que perdi minhas asas...
Toda vez que tento voar...
Esborracho-me no chão!...
Temo ficar para sempre presa ao solo.
Não conseguir seguir um curso...
Acho que nem mesmo sei para onde ir...
Onde será que as perdi (ou que me perdi)?!...
Será que elas apenas se atrofiaram?!...
Como não havia percebido que estava sem elas?!...
(será que são recuperáveis?!...)
Sinto que, talvez, não seja mais capaz...
Já não sou tão jovem...
Já não tenho os ímpetos da juventude...
Já me desacostumei de ser livre...
Enfim, acho que me desabituei de sonhar!...
O JOGO DAS CONTRADIÇÕES
A vida é um jogo onde tudo pode acontecer!...
E, não por poucas vezes, as relações se transformam.
A brincadeira pode deixar de ser brincadeira...
A amizade pode deixar de ser amizade...
A fraternidade pode deixar de ser fraternidade...
Do amor, então, nem se fala!...
As relações podem ficar extremamente desestabilizadas...
Comprometendo o amor. Expandindo os interesses...
E, lá se vai o amor entre pais e filhos...
Lá se vai o amor entre o homem e a mulher...
Sociedades se dissolvem...
Rompendo vínculos que são frágeis frente ao poder do jogo.
Como uma roleta da própria vida.
A roleta gira...a sorte está lançada...
Voltas, voltas, voltas que a vida dá!...
Será que é a roda da fortuna que gira?!....
Hoje o que está à cima, amanhã poderá estar embaixo?!...
Apostasse em algo,
por vezes apostasse muito,
por outras age mais acanhadamente...
Mas sempre estamos de alguma forma apostando em nossas relações.
De repente, um ato de afeto pode se voltar contra você.
Você pode ser blefado!...
Ai, você não foi bom. Você foi ingênuo.
Pode ter sido um ato de amor, ou, talvez:
um ato de superioridade?!...
(eu estou melhor do que você, ou, como você pode estar melhor do que eu?!...)
um ato de controle do outro?!...
(eu te ajudo e te mantenho sobre minhas rédeas!...)
um ato de manipulação?!...
(se você não me ajudar eu posso deixar de te querer).
Esnobismo versus generosidade?!...
Gratidão versus mesquinharia?!...
De que lado jogo?!...O apostador?!...Ou a banca?!...
Há a gentileza, há a desconsideração!...
Parece que o bom e o cruel se mesclam...
Em tonalidades imperceptíveis...
Mas, impreterivelmente;
A confiança nas relações está à deriva da sorte!
Há coisas que não se compra...
Se incorrermos neste risco...
Podemos computar os prejuízos afetivos.
Seu significado vai muito além do que podemos imaginar...
As situações vão se invertendo, se pervertendo, se desfazendo!...
Uau!!!...Como somos humanos!...
E como reconhecer as motivações inconscientes que nos move?!...
Como nos proteger do próprio amor (ou desamor) que nos acomete?!...
Qual é a linha limítrofe entre o nosso amor próprio e o amor ao outro?!...
Talvez leve toda uma vida para compreender:
A dança das apostas!...
As voltas da roleta!...
As manhas do jogador!...
FACTOTUM...Perdia-me...Dava voltas, retornava, perdia-me novamente...
Por um momento pensei que nunca chegaria ao meu destino!...
Irritava-me comigo mesma.
A minha co-pilota se desesperava...
Vire aqui...E, novamente, ao invés de ir à direita via-me indo para a esquerda!...
Andávamos em círculo...
Como se quisesse voltar ao ponto de partida e não seguir em frente!
Há poucas horas, antes, vivia uma experiência inédita:
consultava a compra da passagem de avião, apenas de ida.
Mais um que parte! Não só parte daqui, ele está partindo da vida...
Entendi o porquê que estava me sendo tão difícil acertar o caminho de sua casa;
vê-lo ali, magérrimo, com os braços como de um filhote de passarinho
(como ele mesmo disse)!
Via-se apenas os lençóis, mal se percebia que cobria um corpo.
Vê-lo ali, chorando por não compreender seu próprio drama!...
Estamos nos despedindo a cada encontro.
Lá se vai o nosso faz tudo!...
Olho a minha volta e vejo as coisas que protelamos...
Há tanto para ser feito em minha casa!
Pensávamos que tínhamos tempo...
Mas, agora, olho pra estas coisas por fazer e,
meu coração se aperta.
Não há mais como chamá-lo a cada problema.
Ele não mais nos atenderá...
Sabia que podia contar com ele!
E, ele ainda me diz: não me substitua, eu voltarei!...
Como contradizê-lo?!...
Dói...Vê-lo definhando...
E se esforçando para sorrir!
Agora vai partir...
Vai rever a mãe que não vê há vinte sete anos.
Deixará para trás uma filha que já é órfã de mãe...
Nos deixará para trás...
E seguirá para sua última viagem...
O câncer o consome.
Sofremos mais esta perda.
Factotum...Ele era o nosso "faz tudo"!...
E, na dor, penso no refrão da canção que leva seu nome:
Manoel, o audaz
Manoel, o audaz
Manoel, o audaz, vamos lá.
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